Os alimentos alergénicos

Marta Chambel

Marta Chambel

A Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo (AME) até aos 6 meses de idade, sempre que possível. A diversificação alimentar pode ser iniciada entre os 4 e os 6 meses de idade.

A diversificação alimentar é um tema controverso. Não existe consenso relativamente à introdução de alguns alimentos e grupos de alimentos na alimentação do bebé, nomeadamente qual o momento ideal bem como a forma de dar esses alimentos ao bebé. Em teoria, pode existir alergia a qualquer alimento. No entanto, existe um conjunto de alimentos responsáveis por causarem alergia num maior número de crianças. São considerados, por isso, alimentos potencialmente alergénicos. Estes alimentos são o leite de vaca, ovo, trigo, peixe, soja, amendoim e frutos secos.

Tal como para a restante alimentação, os alimentos potencialmente alergénicos devem ser introduzidos entre os 6 e 12 meses desde que façam parte da alimentação habitual da família, pois uma vez introduzidos na dieta do bebé devem ser ingeridos regularmente. É importante relembrar que, apesar de ser benéfica a introdução precoce destes alimentos, os mesmos devem ser oferecidos sob forma de manteiga ou farinha. Nunca é demais relembrar que os frutos secos, amendoim e sementes, quando oferecidos inteiros ao bebé, podem causar engasgamento e asfixia do bebé.

Com frequência existe a dúvida se nos bebés com doença alérgica (asma, rinite, eczema ou alergia a algum alimento) e nos bebés com pais ou irmãos com doença alérgica, estes alimentos potencialmente alergénicos devem ser introduzidos mais tarde. Assim foi durante muitos anos, por se acreditar que deste modo o risco de alergia aos alimentos em questão seria menor. Atualmente sabemos que esta premissa não é verdade e que atrasar a introdução de alimentos alergénicos nos bebés aumenta o risco de alergia aos mesmos.

Em relação aos testes alérgicos e análises de sangue que permitem aferir se é seguro introduzir ou se há risco de reação alérgica para com este grupo de alimentos, os mesmos não devem ser realizados antes da tentativa de introdução desses alimentos na alimentação do bebé. Convém saber que o teste e/ou análise positivos não significa que existe alergia, esta positividade só tem valor se for acompanhada de sintomas quando o alimento é ingerido.

Como mencionado logo no início, o tema da diversificação alimentar é muito controverso e existem muitos pontos em que não existe consenso. O bom senso deve sempre prevalecer e a introdução de alimentos na dieta do bebé deve ser inclusiva e de acordo com os hábitos alimentares da família.

Dra. Marta Chambel – Alergologista

[Para saberes mais sobre alergias, segue as contas da Dra. Marta Chambel, SOS Alergias e Saúde e Alergias.]

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